Favela Wars foi um jogo brasileiro de estratégia por turnos, lançado em versão de teste em 2013, em que o jogador comandava a polícia ou os traficantes numa guerra pelo controle das favelas de um Rio de Janeiro futurista, em 2041. Criado pela carioca Nano Studio, ele era jogado no navegador e no Facebook, passou de 100 mil jogadores em menos de três meses e gerou muita discussão pelo tema. Hoje o jogo não está mais disponível.
Este guia é para quem jogou na época e quer relembrar e para quem chegou aqui procurando “aquele jogo de polícia e bandido na favela” e quer saber o que ele era, quem fez, por que deu o que falar e o que aconteceu com ele.
O que era o Favela Wars?
Favela Wars era um jogo de estratégia por turnos, no estilo de clássicos como X-COM: UFO Defense. Cada jogador escolhia um lado, polícia ou bandidos, montava uma equipe de personagens com habilidades diferentes e enfrentava outro jogador em mapas inspirados em favelas cariocas. A partida terminava quando todos os personagens de um lado caíam, e durava cerca de 15 minutos.
A história se passava no Rio de Janeiro de 2041, num cenário de guerra urbana com toques de ficção científica. Os personagens eram fictícios, com vozes gravadas por dubladores profissionais em português, e a equipe fazia questão de dizer que o jogo não mostrava drogas de forma explícita, nem crianças ou cenas de sexo.

Como nasceu o jogo
A ideia surgiu em 2011, quando Dan Eisenberg, que viria a ser o CEO da Nano Studio, ficou preso num engarrafamento na Linha Vermelha, uma das principais vias expressas do Rio, perto de um tiroteio entre polícia e bandidos. Muitos motoristas saíram de ré para fugir dali. Em vez de só guardar o trauma, ele decidiu transformar a experiência em jogo.
A produção começou em fevereiro de 2012. A equipe chegou a 13 pessoas, entre programadores, artistas, ilustradores, game designers e músicos, e o projeto teve o apoio de investidores, sócios do estúdio, que aplicaram quase 1 milhão de reais. A trilha sonora, composta por Werther Azevedo, um dos sócios, misturava o som da capoeira com música eletrônica futurista.
Quem estava por trás
- Nano Studio: estúdio carioca de jogos e aplicativos para celular, fundado em 2007 por Peter Hansen, com clientes como Nickelodeon, MTV e Pepsi. O braço de games se chamava Nano Games.
- Peter Hansen: diretor de desenvolvimento, com mais de 30 jogos lançados desde 2004.
- Werther Azevedo: chefe de design e arte, professor de áudio digital na PUC-Rio e compositor da trilha.
- Dan Eisenberg: CEO e idealizador do Favela Wars.
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O sucesso da versão de teste
A versão beta foi liberada em 15 de abril de 2013, de graça, para jogar no navegador. Em menos de três meses, passou de 100 mil usuários. Para os criadores, o segredo era a identificação: “o tema faz parte do cotidiano dos jogadores”, disse Eisenberg na época.
O jogo era gratuito e ganhava dinheiro com uma loja virtual de armas, equipamentos e itens para personalizar os personagens, como camisas de time e bonés. Havia ainda integração com o Facebook para jogar com os amigos e a promessa de versões para iOS e Android.

A expansão do Complexo do Alemão
Com o sucesso, o jogo ganhou em julho de 2013 um novo mapa: o Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, com direito ao teleférico que tinha virado símbolo da região. O cenário remetia à ocupação policial de 2010, acompanhada ao vivo pela TV.
A atualização trouxe outras novidades: iluminação e física melhoradas, objetos que reagiam aos tiros, carregamento quatro vezes mais rápido (com um minijogo de helicóptero durante a espera), um tutorial para iniciantes, o “Manual do Morro” e um sistema de reputação que marcava os “amarelões”, os jogadores que abandonavam a partida quando estavam perdendo. O estúdio também anunciou a primeira personagem feminina do jogo.

Por que o Favela Wars foi polêmico?
Um jogo em que se pode escolher ser traficante, ambientado em lugares reais do Rio e lançado poucos anos depois das ocupações do Alemão e da Rocinha, inevitavelmente dividiu opiniões. Para uns, banalizava a violência que os moradores das favelas vivem de verdade. Para outros, era só mais um jogo de guerra, como tantos de tiro ambientados em conflitos reais.
Dan Eisenberg respondia às críticas com bom humor: “Se você acha que quem joga videogame vai sair por aí dando tiro, então você também acredita que quem fica jogando Farmville no Facebook o dia inteiro vai virar fazendeiro”. O debate sobre como os games retratam as favelas, aliás, continuou depois dele, com outros jogos brasileiros e estrangeiros ambientados nesse cenário.
Nem todo mundo gostou da jogabilidade: na época, o Tecnoblog elogiou o cenário, mas criticou a falta de tutorial na primeira versão e a demora para encontrar adversários.
O que aconteceu com o Favela Wars?
O estúdio dizia, em julho de 2013, que faltavam de quatro a seis meses para a versão final e que estava conversando com investidores. Não encontramos registro de que essa versão tenha sido lançada. Em outubro de 2026, o endereço oficial do jogo (favelawars.com) leva a uma página de venda de domínio, e o jogo não está mais disponível.
Ficou a lembrança de um dos jogos brasileiros mais comentados do começo dos anos 2010, e de uma época em que os jogos de navegador e do Facebook dominavam o tempo livre de muita gente.
O trailer oficial do Favela Wars, publicado pela Nano Games.
Perguntas frequentes sobre o Favela Wars
O que é o Favela Wars?
Favela Wars foi um jogo brasileiro de estratégia por turnos, lançado em versão de teste em abril de 2013 pela Nano Studio, do Rio de Janeiro. O jogador escolhia ser a polícia ou os traficantes e disputava o controle de favelas de um Rio futurista, em 2041.
Era jogado de graça no navegador e no Facebook, com partidas de cerca de 15 minutos contra outros jogadores.
Ainda dá para jogar Favela Wars?
Não. Em outubro de 2026, o site oficial do jogo leva a uma página de venda de domínio, e o Favela Wars não está mais disponível para jogar.
Não encontramos registro do lançamento da versão final, que estava prevista para o fim de 2013 ou o começo de 2014.
Qual é o jogo de polícia e bandido na favela?
Muita gente que procura por isso está pensando no Favela Wars, o jogo de estratégia brasileiro de 2013 em que se jogava como policial ou traficante no Rio de Janeiro.
Outros jogos também usaram favelas como cenário, como o mapa “Favela” de Call of Duty: Modern Warfare 2 (2009), mas o Favela Wars era o que deixava escolher os dois lados do conflito.
Quem criou o Favela Wars?
O jogo foi criado pela Nano Studio (e seu braço de games, a Nano Games), do Rio de Janeiro. A ideia foi de Dan Eisenberg, o CEO, e o estúdio tinha à frente Peter Hansen, na direção de desenvolvimento, e Werther Azevedo, na direção de arte e na trilha sonora.
A equipe teve 13 pessoas, e o projeto recebeu quase 1 milhão de reais de investidores.
Como era o jogo?
Era um jogo de estratégia por turnos inspirado em clássicos como X-COM. Cada jogador montava uma equipe de personagens com habilidades diferentes, como o inusitado “Sequela”, um traficante armado com uma seringa que podia conter veneno ou antídoto.
As partidas duravam cerca de 15 minutos e terminavam quando todos os personagens de um lado caíam. Havia mapas inspirados em favelas reais, como o Complexo do Alemão.
Por que o Favela Wars foi polêmico?
Pelo tema: o jogo deixava o jogador comandar traficantes numa guerra contra a polícia em cenários inspirados em favelas reais, poucos anos depois das ocupações do Alemão e da Rocinha, que marcaram o noticiário.
Os criadores defendiam que era um jogo de ficção, ambientado em 2041, sem drogas explícitas, e que jogar não transforma ninguém em criminoso.
O Favela Wars era de graça?
Sim. O jogo era gratuito para jogar e ganhava dinheiro com uma loja virtual de armas, equipamentos e itens de personalização, comprados com cartão de crédito, cartão pré-pago ou PayPal.
Confirmar o e-mail da conta, aliás, dava dinheiro virtual para gastar no jogo, uma dica que o próprio estúdio divulgava.
Quantas pessoas jogaram Favela Wars?
Segundo o estúdio, o jogo passou de 100 mil usuários em menos de três meses de versão de teste, entre abril e julho de 2013.
O número era alto para um jogo brasileiro independente da época e motivou a expansão do Complexo do Alemão.
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E você, chegou a jogar Favela Wars? Jogava de polícia ou de bandido? Viu algum erro ou lembra de algum detalhe que faltou? Conta nos comentários.
Atualizado em outubro de 2026.
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