Robocop é o policial ciborgue criado no filme de 1987 dirigido por Paul Verhoeven: Alex Murphy, um policial de Detroit assassinado por uma gangue, é transformado em máquina por uma megacorporação e aos poucos recupera a memória e a humanidade. Neste guia você encontra quem é quem no elenco, como o filme foi feito (e quem quase vestiu a armadura), as curiosidades mais saborosas dos bastidores, a ordem de todos os filmes e séries e a história da estátua que Detroit finalmente ganhou.

O que é o Robocop?
Numa Detroit do futuro tomada pelo crime e quase falida, a polícia foi privatizada e quem manda é a OCP (Omni Consumer Products), uma corporação que quer substituir os policiais por máquinas. Quando o policial Alex Murphy é brutalmente executado pela gangue de Clarence Boddicker, o corpo dele vira matéria-prima para o programa Robocop: o que sobrou de Murphy é colocado dentro de uma armadura de titânio, com a memória apagada e um sistema de regras gravado na mente.
Essas regras são as famosas diretrizes primárias: servir à confiança pública, proteger os inocentes e cumprir a lei. Há ainda uma quarta diretriz, secreta, que impede o Robocop de agir contra os diretores da própria OCP. Por trás da ação e da violência, o filme é uma sátira afiada sobre privatização, corrupção, consumismo e o que nos torna humanos, e por isso continua atual quase 40 anos depois.
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Quem está no elenco do Robocop original (1987)?
| Personagem | Ator |
|---|---|
| Alex Murphy / Robocop | Peter Weller |
| Anne Lewis, parceira de Murphy | Nancy Allen |
| Clarence Boddicker, o chefe da gangue | Kurtwood Smith |
| Dick Jones, vice-presidente da OCP | Ronny Cox |
| Bob Morton, criador do programa Robocop | Miguel Ferrer |
| O Velho, presidente da OCP | Dan O’Herlihy |
| Leon Nash, da gangue | Ray Wise |
Kurtwood Smith, o vilão Clarence Boddicker, depois virou um rosto conhecido de outra geração como o Red Forman, o pai rabugento de That ’70s Show.

Como o Robocop foi feito? Os bastidores
Um roteiro que o diretor quase jogou fora
A ideia nasceu da dupla de roteiristas Edward Neumeier e Michael Miner. Quando o roteiro chegou ao holandês Paul Verhoeven, ele achou que era só mais um filme bobo de ação e o descartou. Foi a esposa dele, Martine, quem leu com atenção e insistiu: aquilo era uma sátira inteligente sobre os Estados Unidos dos anos 80. Verhoeven releu, mudou de ideia e fez dele o seu primeiro grande sucesso em Hollywood, abrindo caminho para O Vingador do Futuro e Tropas Estelares.
Quem quase foi o Robocop
Nomes como Arnold Schwarzenegger, Rutger Hauer e Michael Ironside foram cogitados. Schwarzenegger, porém, era grande demais: com a armadura por cima, o Robocop ficaria parecendo um tanque. A produção precisava de alguém mais esguio, com um queixo expressivo (afinal, durante boa parte do filme só a parte de baixo do rosto aparece) e preparo físico para aguentar a roupa. Peter Weller, ator de físico de maratonista, encaixou perfeitamente.
O ator foi demitido no meio das filmagens
A relação entre Weller e Verhoeven ficou tensa com o calor, os atrasos e o sofrimento dentro da armadura, e Weller chegou a ser demitido no meio da produção. Os produtores cogitaram até Lance Henriksen para o lugar dele, mas esbarraram num problema prático: a roupa tinha sido construída sob medida para o corpo de Weller. Ele foi chamado de volta, as pazes foram feitas e o resto é história.
A armadura: atrasada, quente e quase impossível de vestir
A roupa criada por Rob Bottin chegou ao set com três semanas de atraso, no dia em que a primeira cena com o Robocop seria filmada. Vesti-la levava horas (os relatos falam em cerca de 10 a 11 horas no início), e o calor de Dallas transformava a armadura num forno: há relatos de que Weller chegava a perder cerca de 1,5 kg de suor por dia.
Antes das filmagens, ele tinha passado meses treinando com o professor de mímica Moni Yakim para criar um jeito “robótico” de se mover. Só que, quando enfim vestiu a armadura de verdade, quase não conseguia andar, e todo aquele treino teve de ser adaptado. A produção parou por alguns dias até ator e diretor chegarem ao andar pesado e preciso que virou marca do personagem.

O ED-209 foi animado quadro a quadro
O desajeitado robô ED-209, aquele que não consegue descer escadas, foi criado pela equipe de Phil Tippett. Eles construíram um ED-209 em tamanho real, de cerca de dois metros, movido por manipuladores nas cenas com os atores, e uma miniatura animada em stop-motion, quadro a quadro, para as cenas de ação. O efeito tem charme até hoje.

Violento demais para os cinemas
A primeira versão do filme recebeu a classificação X nos Estados Unidos por causa da violência gráfica, a mesma de filmes adultos, o que inviabilizaria o lançamento. O estúdio enviou cortes sucessivos até conseguir a classificação R. As cenas mais sangrentas, como a execução de Murphy e o “teste” desastroso do ED-209 na sala de reuniões, voltaram depois na versão do diretor.
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Curiosidades que você talvez não conheça
- Nada foi filmado em Detroit: apesar de toda a história se passar lá, o filme original foi rodado principalmente em Dallas, cujos prédios espelhados pareciam mais “futuristas”. Las Colinas e Pittsburgh também serviram de cenário. As ruas cheias de explosões eram de um trecho de Dallas que estava para ser demolido.
- Robocop “sem calças”: com a armadura completa, Weller não cabia no carro de polícia. Por isso, nas cenas dentro do carro, ele está só com a parte de cima da roupa.
- Um Oscar pelo barulho: o filme ganhou um Oscar especial pela edição de efeitos sonoros, entregue a Stephen Hunter Flick e John Pospisil. Os sons metálicos dos passos do Robocop e os rugidos do ED-209 são parte do sucesso.
- “Eu compraria por um dólar!”: o comediante dos programas de TV que aparecem no filme, Bixby Snyder, nunca tem o nome dito na tela, mas virou um dos personagens mais lembrados, com o bordão “I’d buy that for a dollar!”.
- A ponta do diretor: na cena da boate em que o Robocop vai atrás de um bandido, repare nos dançarinos. Um deles é o próprio Paul Verhoeven.
- Um romance que ficou no papel: Verhoeven chegou a pensar num caso secreto entre Anne Lewis e Murphy depois da transformação em Robocop (“muito holandês da minha parte”, brincou depois), mas a ideia nunca chegou às filmagens.
- Frank Miller entra na história: por causa da greve de roteiristas de 1988, o roteiro de Robocop 2 acabou nas mãos do quadrinista Frank Miller, que também faz uma ponta no filme como um químico.
- Robocop contra o Exterminador: em 1992, Frank Miller e Walt Simonson lançaram a HQ Robocop vs. O Exterminador, na qual a tecnologia do Robocop ajuda a criar a Skynet. A história virou até videogame. Falando em Skynet, veja por que o dia 29 de agosto é tão importante para os fãs de O Exterminador do Futuro.

Quantos filmes do Robocop existem? Todos, em ordem
| Ano | Título | O que é |
|---|---|---|
| 1987 | Robocop: O Policial do Futuro | O original, de Paul Verhoeven, com Peter Weller |
| 1990 | Robocop 2 | Dirigido por Irvin Kershner (de O Império Contra-Ataca), com roteiro de Frank Miller; Weller volta ao papel |
| 1993 | Robocop 3 | Dirigido por Fred Dekker, com Robert John Burke no lugar de Weller |
| 1994 | Robocop: A Série | Série de TV em live-action |
| 2001 | Robocop: Prime Directives | Minissérie em quatro partes |
| 2014 | Robocop | O remake do brasileiro José Padilha |
| 2023 | RoboCop: Rogue City | Videogame com a voz e a aparência de Peter Weller, passado entre Robocop 2 e Robocop 3 |
O personagem também ganhou desenhos animados, várias HQs e outros jogos, como o recente RoboCop: Rogue City – Unfinished Business. Para quem quer começar, a ordem natural é a de lançamento, começando pelo original de 1987, que segue sendo o melhor de todos.
O remake de 2014, do brasileiro José Padilha
Em 2014, o Robocop voltou aos cinemas pelas mãos de José Padilha, o diretor de Tropa de Elite. Joel Kinnaman viveu Alex Murphy, com Gary Oldman como o cientista que cria o ciborgue, Michael Keaton como o dono da OmniCorp e Samuel L. Jackson como um apresentador de TV sensacionalista. A nova versão troca parte da sátira pela discussão sobre drones, vigilância e controle da mente.
Aqui no site, a gente fez a crítica completa do Robocop de 2014 e tentou explicar o mistério da mão humana do novo Robocop.
A estátua do Robocop em Detroit
Em fevereiro de 2011, uma brincadeira no Twitter virou uma campanha de financiamento coletivo para dar a Detroit uma estátua do Robocop. A meta de 50 mil dólares foi batida em cerca de uma semana, e a campanha fechou com mais de 67 mil. A gente contou aqui quando ela estava quase pronta, mas a espera foi bem maior do que qualquer um imaginava: a estátua de bronze ficou pronta em 2021 e passou anos guardada.
Finalmente, em dezembro de 2025, o Robocop de bronze, com cerca de 3 metros de altura, foi instalado no Eastern Market, o mercado histórico de Detroit. O policial do futuro, enfim, está na cidade que ele nunca filmou.

Em memória
Dois nomes importantes do elenco original já se foram: Dan O’Herlihy, o Velho presidente da OCP, morreu em 2005, e Miguel Ferrer, o ambicioso Bob Morton, em 2017. “Vivo ou morto, você vem comigo” também é deles.
Perguntas frequentes sobre o Robocop
O que é o Robocop?
Robocop é um policial ciborgue: o que restou do corpo do policial Alex Murphy, morto em serviço, foi colocado dentro de uma armadura robótica pela corporação OCP, que queria um policial perfeito, incansável e obediente. A memória de Murphy é apagada e substituída por diretrizes, mas aos poucos as lembranças da família e do assassinato voltam.
O personagem foi criado para o cinema, no filme de 1987 de Paul Verhoeven, e não veio dos quadrinhos. O sucesso fez dele um ícone dos anos 80 e gerou continuações, séries, desenhos, HQs e games.
Quem faz o Robocop?
No filme original de 1987 e em Robocop 2 (1990), o papel é de Peter Weller. Em Robocop 3 (1993), quem veste a armadura é Robert John Burke, porque Weller não voltou. Na série de TV de 1994, o Robocop é o canadense Richard Eden.
No remake de 2014, Alex Murphy é vivido por Joel Kinnaman. E Peter Weller voltou ao personagem em 2023, emprestando a voz e a aparência ao videogame RoboCop: Rogue City.
Quantos filmes do Robocop existem e qual a ordem para assistir?
São quatro filmes para o cinema: Robocop (1987), Robocop 2 (1990), Robocop 3 (1993) e o remake Robocop (2014). Os três primeiros formam uma sequência; o de 2014 é uma história nova, que recomeça do zero.
A melhor ordem é a de lançamento. Quem quiser ir além pode ver a série de TV de 1994 e a minissérie Prime Directives (2001), e jogar RoboCop: Rogue City, cuja história se passa entre o segundo e o terceiro filme.
Quais são as diretrizes do Robocop?
As três diretrizes públicas, gravadas no sistema do Robocop, são: 1. Servir à confiança pública; 2. Proteger os inocentes; 3. Cumprir a lei. Elas aparecem na famosa tela da visão do ciborgue, logo que ele é ativado.
A grande reviravolta é a quarta diretriz, secreta: o Robocop não pode agir contra nenhum diretor da OCP. Ela é a peça central da crítica do filme, porque mostra que o “policial do povo” foi programado para proteger a empresa que o fabricou.
O Robocop foi filmado em Detroit?
Não. Apesar de a história toda se passar em Detroit, o filme de 1987 foi rodado principalmente em Dallas, no Texas, e também em Pittsburgh. A produção achou que os prédios espelhados de Dallas pareciam mais com a “Detroit do futuro” que eles imaginavam.
A ironia é que Detroit adotou o Robocop como um dos seus símbolos, e desde dezembro de 2025 a cidade tem uma estátua de bronze do personagem no Eastern Market.
Quem dirigiu o Robocop de 2014?
O remake foi dirigido pelo brasileiro José Padilha, conhecido por Ônibus 174 e pelos dois Tropa de Elite. Foi a estreia dele em Hollywood, com um elenco que tinha Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Abbie Cornish.
A versão de Padilha mantém Detroit e a ideia da corporação que fabrica o policial, mas muda bastante coisa, como o visual da armadura (agora preta), o foco na família de Murphy e a discussão sobre o uso de drones e robôs na segurança pública.
O Robocop ganhou o Oscar?
Sim. O filme de 1987 recebeu um Oscar especial (o chamado Special Achievement Award) pela edição de efeitos sonoros, entregue a Stephen Hunter Flick e John Pospisil.
Os sons do Robocop são parte da identidade do personagem: os passos metálicos, o zumbido dos movimentos, o disparo da pistola e os rugidos mecânicos do ED-209 ficaram tão marcados quanto o visual.
Existe um Robocop contra o Exterminador?
Existe. Em 1992, o quadrinista Frank Miller (o mesmo que escreveu Robocop 2) e o desenhista Walt Simonson lançaram a minissérie em quadrinhos Robocop vs. O Exterminador. Na história, a tecnologia usada para criar o Robocop acaba ajudando no surgimento da Skynet.
O encontro também virou videogame nos anos 90. Nunca houve um filme com os dois juntos, mas a ideia de que os dois universos se cruzam continua rendendo teorias entre os fãs.
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E você, prefere o Robocop de Peter Weller ou o de 2014? Conta pra gente nos comentários.
Atualizado em outubro de 2026.
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